sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Turismo de raízes II

Postado por Alexandre Panosso Netto


*Aviso aos leitores assíduos: postagem destinada a meus familiares Panozzo/Panosso - não tem muito a ver com turismo. Outras postagens sobre a família estão no novo blog: http://familiapanozzo.blogspot.com
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Conforme expliquei numa das postagens anteriores (Turismo de raízes I), aproveitei as férias para participar do I Encontro Nacional da Família Panosso/Panozzo no Rio Grande do Sul, no dia 23 de janeiro.


Meus parentes me solicitaram um texto que contasse a história da família, de forma breve. Esse texto foi apresentado no encontro mencionado na hora da cerimônia religiosa. Segue abaixo o material completo para os parentes que já me escreveram emails solicitando o texto.



BREVE HISTÓRIA DA FAMÍLIA PANOZZO/PANOSSO NO BRASIL
É bom estar em família. Melhor ainda é conhecer nossa origem e nossa história.
A grande maioria dos dados que serão aqui apresentados foram retirados do livro do maior historiador da família, Virgílio Panozzo, 84 anos, que vive há mais de 50 na Austrália. Um de seus livros intitula-se “Tresche Conca: town of imigrants”, ou seja, “Tresché Conca: Terra de imigrantes”. Virgílio e sua esposa Floriana, 86 anos, pedem desculpas por não poderem estar presentes neste encontro de hoje.
Virgílio Panozzo e este que escreve quando nos encontramos em Vicenza, Itália, em 2009.

Tatiana, Virgílio e Floriana, sua esposa em Treschè Conca, Itália em 2009.
Outro grande historiador e memorialista dos Panozzo, este do Brasil, no qual nos baseamos, é Oscar Panozzo, de Caxias do Sul (que está presente hoje aqui com sua família). De suas anotações e profundo conhecimento do tema – pois há muito tempo se ocupa de coletar materiais, causos, fotos e documentos e visitar cemitérios e cartórios – é que temos a grande maioria dos dados históricos de nossa família no Brasil, principalmente do ramo do sul do país.
Família de Caxias do Sul. O primeiro da esquerda é Oscar Panozzo, o maior conhecedor de nossa história no Brasil.
Há várias versões para o surgimento do sobrenome Panozzo. Alguns dizem que vem de “panussus”, ou pano velho; outros que vem de “pão e osso”, ou seja, que as pessoas deste sobrenome comiam esses alimentos; por fim há a versão de que Panozzo significa “pessoa boa” “de origem boa, de boa fé”. Todas essas versões não puderam ser confirmadas de maneira documental. Sabe-se, porém, que a grafia do sobrenome Panosso pode ser tanto com dois Zs quanto com dois Ss, sendo a grafia com dois Zs é a mais antiga, portanto, a original. O sobrenome com dois S é uma variação, trata-se, todavia, do mesmo tronco familiar.
Na origem na Itália, muitos dos Panosso também adotaram outros sobrenomes, entre eles Rossi, que tinham cabelos vermelhos; Mantoan, que viviam na montanha; Dalla Riva, que viviam perto do rio, e assim por diante. O sobrenome passou a ser unificado somente a partir de 1798.
A origem temporal e geográfica da família nos remete ao que hoje é conhecido como norte da Itália e ao fim do século XVI, ou seja, fins dos anos 1500, mesmo século das primeiras ações colonizadoras portuguesas no Brasil.
A região da cidade de Vicenza, terra do grande arquiteto Andrea Palladio, é o berço da família. A cerca de 15km da cidade de Vicenza, e ao pé de uma grande montanha, está o pequeno vilarejo de Cogolo, com uma igreja fundada ainda no século XVII. Subindo a montanha, a 20 km de Cogolo, está o que é conhecido como “alto piano”, ou alto plano; ali está o pequeno vilarejo de pouco menos de dois mil habitantes, na altura de 1.050 metros do nível do mar, denominado Treschè Conca.
Em Treschè Conca, no tempo do verão as famílias se estabeleciam para plantar e cuidar de animais. Todavia, no tempo do inverno, devido ao frio estremo com nevascas que deixavam até um metro de neve sobre o solo, era impossível sobreviver. Nesta estação do ano as famílias desciam a montanha para buscar trabalho em outras cidades, tais como Vicenza, Verona, Veneza... alguns iam cada vez mais longe, até à Suíça, Alemanha e... não voltavam mais. Tornavam-se imigrantes!
Sobre o tema da nobreza dos Panozzo também é importante falar. Segundo os estudos de Virgílio Panozzo, já denominado, existiu uma família nesta região de Vicenza que se auto-concedeu o título de “nobre”. Todavia, em sua origem, nada tinham de nobres no aspecto de realeza. Em poucos anos esses ditos “nobres” deixaram de existir, pois não tiveram descendentes.
Neste sentido, é importante deixar claro que não existe e nem nunca existiu um brasão dos Panozzo que pudesse ser confirmado por documentos históricos, ainda que em alguns sites de internet é possível encontrar empresas que prometem descobrir o brasão de qualquer família. Pessoas desavisadas correm o risco de pagar por um documento ou uma imagem forjada, que não apresenta valor nem originalidade histórica.
Nos anos de crise da Itália, no século XIX, entre 1860 e 1880 fortalece-se o processo migratório para outros países, entre os quais Argentina, Estados Unidos e Brasil.
No Brasil, ao contrário do que muitos aqui presentes possam acreditar, não existe somente o ramo da família aqui do Rio Grande do Sul. Há um grande grupo com o mesmo sobrenome - com dois SS - no estado de São Paulo. Todos imigrantes que foram trabalhar nas lavouras cafeeiras do interior do estado na época dos últimos suspiros da vergonhosa escravidão em nosso país. Em conversa com alguns desses Panosso de São Paulo, descobriu-se que eles acreditam serem os primeiros no Brasil e que eles são a origem do ramo do Rio Grande do Sul. Ou seja, mais estudos serão necessários para desvendarmos essa dúvida que ainda paira sobre a história.
Voltando um pouco mais no tempo, o primeiro Panozzo documentado que se tem notícia, é MATTIO PANOZZO, nascido no terceiro quartel do século XVI, no vilarejo de Cogolo, o qual teve dois filhos no início dos anos 1600.
O primeiro Panosso identificado e documentado que veio ao Brasil foi DAVIDE Panozzo, em viagem no ano de 1891, portanto, há exatos 120 anos a atrás. De MATTIO PANOZZO até o seu primeiro descendente a chegar ao Brasil, foram sete gerações.
DAVIDE veio da Itália, viúvo e com 4 filhos, sendo que um estava casado, dois solteiros e um também era viúvo.
Os filhos de DAVIDE eram INNOCENTE, DOMENICO, LUIGI e GIACOMO.
As famílias hoje aqui reunidas são descendentes de dois desses filhos: INNOCENTE – que podemos dizer que é o ramo da região do interior do estado do Rio Grande do Sul, e os descendentes de GIACOMO que estão, falando de maneira geral, na região de Erexim e de Caxias do Sul, na qual se inclui o berço dos Panosso no Rio Grande do Sul: Antônio Prado e Nova Roma do Sul.
INNOCENTE havia se casado na Itália com Tereza Manfron e com ela teve um filho, Antônio Panozzo, que era italiano. Tereza morreu jovem ainda na Itália. INNOCENTE se casou a segunda vez já no Brasil, com Catterina Pecoraro e com ela teve sete filhos, todos brasileiros.
Desses dois filhos de INNOCENTE, Antonio nascido na Itália e Luigi, nascido do segundo casamento no Brasil, a grande maioria das pessoas aqui é descendente e esses dois foram os grandes formadores da família Panosso de Frederico Westphalen.
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O ato de buscar sobre a origem histórica de cada um não é um ato vazio. É pleno de significado, pois representa o respeito à história; o reconhecimento dos desafios enfrentados - e vencidos – pelos antigos; a aceitação de que os homens não caminham sozinhos e não superam obstáculos sozinhos: precisam uns dos outros; reconhecimento de que a união, o amor, a solidariedade, a ética, são valores a serem preservados... e mais: o reconhecimento de que a vida na terra é efêmera, rápida, um sopro divino que nos foi dado como nosso maior bem, para que façamos dele o melhor uso possível.
Festejar o valor da vida é o grande objetivo deste encontro! É com esse pensamento que nos reunimos para estreitar os laços de sangue que circulam entre nós, mesmo que vivamos distantes geograficamente.
Por nossa origem comum, nos fazemos próximos. Os laços cristãos também nos unem nesta fé, nesta dádiva, neste dom.
Esperamos que nossos ancestrais recebam este momento com respeito, carinho e admiração. Agradecemos a eles os ensinamentos recebidos.
Que nossos descendentes tenham por nós a mesma admiração que temos por nossos pais, avós, bisavós, triavós e assim sucessivamente.
Que sejamos dignos desta homenagem futura por nossos exemplos.
* Escrito por Alexandre Panosso Netto e apresentado ao público em 23 de janeiro de 2011.


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