sábado, 29 de setembro de 2012

Fiz turismo e...

Postado por Alexandre Panosso Netto
*Uma postagem para encerrar o mês de setembro. Abraços aos colegas e amigos turismólogos e profissionais do turismo.
...
Nesta semana lembrei-me de uma comunidade que alguma mente perturbada criou no Orkut que chamava-se "Fiz turismo e me fodi". Essa comunidade ainda existe com a incrível quantidade de 54 membros. Existia uma outra comunidade com o mesmo nome, na qual ao menos o "fudi" estava com "u" mesmo... mas esta sumiu.
Em agosto de 2006 aquela extinta comunidade tinha 2.858 membros (segundo texto do prof. Luiz Trigo publicado em: http://www.etur.com.br/conteudocompleto.asp?IDConteudo=11276).
As reclamações postadas na comunidade ainda ativa dizem respeito à dificuldade dos turismólogos conseguirem emprego, dos estágios com pagamentos medíocres, que pessoal não formado em turismo trabalha na área, de ter que pagar doze mensalidades anuais num curso de quatro anos... e outras chorumelas do gênero.

Ainda segundo o texto do Luiz Trigo, na época existiam as seguintes comunidades no Orkut:
“Fiz turismo e me fudi” - 2.858 participantes
“Turismólogos” - 9.748 participantes
“Faço turismo + ñ sou vagabundo” - 16.017 participantes
“Turismólogos do Brasil” - 16.382 participantes
“Turismo – debate acadêmico” - 5.278 participantes
“Fiz turismo e sou um sucesso”- 1.571 participantes

Com esses dados, afirmou Luiz Trigo:
"Para quase três mil pessoas que se deram mal na profissão e assinam o recibo de fracassados, (negrito meu) há 47 mil envolvidas em comunidades de relacionamento profissional e acadêmico. Cerca de 1.500 dizem ser um sucesso. Não está mal." 

Vamos tentar atualizar com os dados do Facebook, que tem as seguintes comunidades:
"Vagas em hotelaria e turismo"  - 9.430 membros
"Turismólogos"  - 1.439 membros
"Pesquisadores do turismo no Brasil" - 900 membros
"Investigadores de turismo" - 490 membros
"Legislação de turismo brasileira"  - 488 membros
"Técnicos superiores de turismo"  - 1.185 membros
"Turismo" - 528 membros
"Turismo" - 691 membros
"Turismo - oportunidades e discussões" - 678 membros
"Turismólogos e afins" - 1.294 membros
"Turismólogos com orgulho. Vista esta causa" - 992 membros

Tentei buscar somente as comunidades que de imediato aparecem em minha página no dia de hoje. Não encontrei nenhuma comunidade de fracassados reclamões. Existe ainda algumas dezenas de outras comunidades menores de turismo, sempre elevando a área.
Não está mal mesmo! Aliás, creio que está muito bem!
Afirmo isso porque nos últimos tempos tenho participado de uma maratona de eventos de turismo, tanto acadêmicos como técnicos, ora como ouvinte, ora como palestrante, ora como apresentador de trabalho, ora como coordenador de grupo, e tenho visto, ou ao menos percebido, o grande crescimento e amadurecimento que a área está conseguindo.
Vi jovens professores preocupados não só com o ensino dos temas do turismo, mas também com a investigação focada em estudos de caso de suas realidades locais.
Vi recém graduados que ocupam secretarias de turismo municipais (sim, existe isso!) e buscam desenvolver a sua região.
Vi turismólogos que mal saíram da graduação e já são mestres e iniciando seus doutorados, tanto no Brasil quando no exterior. (Somos no Brasil por volta de 70 turismólogos doutores e uns 40 em fase de doutoramento. Esses dados estão atualizados pela profa. Marilia Gomes dos Reis Ansarah, com a ajuda de vários colegas).
Vi jovens profissionais contando suas experiências de sucesso com suas empresas.
A lista poderia ser maior, mas dou-me por satisfeito.

É correto que houve uma crise nos cursos de graduação em turismo. Mas também é correto que antes desta crise houve uma fase de ouro, de grande e rápida expansão, que logo se mostrou frágil, pois não estava alicerçada nos pilares basilares do ensino superior, mas sim dominada pelos interesses mercadológicos de algumas instituições de ensino. Essas duas fases, a de ouro ("ouro de tolo?") e a de crise, entendo, já passaram.
Agora estamos no momento da sedimentação dos cursos de graduação existentes. Só os melhores sobreviverão e serão bons exemplos. Qualquer ingressante antenado saberá discernir qual curso deverá cursar.
Essa crise que viveu a graduação em turismo deu a falsa ideia de que o fenômeno turístico também estava em crise. O que não é verdade. Curso superior em turismo é uma coisa. Fenômeno turístico é outra.
Vamos aventar a ideia de que já somos no Brasil mais de 200 mil graduados na área (alguns dizem que esse número chega a 400 mil). Vamos dizer que só 30% trabalham com turismo. Isso significaria 60 mil profissionais. Parece-me impossível que esses profissionais não façam a diferença positiva em seu campo de atuação. Parece-me visível que estamos vivendo uma mudança gradual, ainda que calma, lenta, sem grande alarde, na direção da melhor e maior inserção do turismólogo no trade turístico.
Eventos de turismo aumentaram em número e melhorado em qualidade;
revistas científicas nacionais temos aos montes;
cursos de mestrado temos 6 ou 7, sendo um doutorado em administração e turismo;
livros temos aí várias editoras emprenhadas com novas traduções e novas obras de autores nacionais;
a profissionalização do trade turístico é visível;
destinos nacionais crescem em qualidade e quantidade;
o brasileiro, com maior renda, começa a viajar mais pelo país, forçando a profissionalização da área;
turismólogos, gradualmente, estão ocupando cargos de decisão nas estâncias gestoras.

Esses são exemplos positivos. Claro, se os governos estaduais e nacional dessem uma mãozinha e valorizassem o turismo como importante atividade, a coisa seria mais fácil. Mas deixemos de reclamar e façamos nossa parte.
Bom, agora você, caso seja alguém que estuda ou já é egresso do turismo, pode completar o título da postagem: "Fiz turismo e...".
De minha parte eu já sei o que escrever.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

II Semana de Turismo da ESAT-UEA - Manaus

Postado por Alexandre Panosso Netto

Após passar bons e longos dias embrenhado na mata amazônica, em algum lugar entre Belém e Manaus, tive o privilégio de fazer a palestra de abertura da II Semana de Turismo da Escola Superior de Artes e Turismo (ESAT) da Universidade Estadual do Amazonas (UEA), em Manaus.

Falei sobre o turismo de experiência no contexto da segmentação do mercado turístico. O convite havia sido feito com grande antecedência pela coordenadora do curso de turismo da ESAT, profa. Glaubécia Teixeira da Silva.
Esquerda para a direita: professores Glaubécia, Raimundo e Cristiane.
O evento faz parte das comemorações do dia mundial do turismo, 27 de setembro. Também está planejado o II Workshop de turismo de base comunitária no Amazonas (informações em: http://tbcamazonas.blogspot.com.br/).
A abertura foi feita pelo prof. Raimundo de Jesus Teixeira Barradas, que é formado em filosofia; aí já viu, né, logo nos acertamos. Assim que foi chamado para compor a mesa os 300 participantes (isso mesmo, 300, contados) aplaudiram e gritaram imensamente, deixando claro o prestígio do professor. As profas. Glaubécia e Cristine Barroncas Maciel Costa Novo também fizeram uso da palavra destacando a importância do evento, que contou com a participação de alunos e professores de turismo de cinco IES: UEA, Uninorte, Nilton Lins, Ciesa e Fametro.
Vista parcial da platéia. Estudantes e professor de cinco instituições de ensino superior.
Show a parte deu o Sexteto de Metais Manaós, sob a coordenação do prof. Oromides. Neste momento até eu fui chamado para ser o maestro na execução da Aquarela do Brasil, conforme a foto comprova. Uma brincadeira, é claro.
Antes da palestra pude brincar de maestro.
Alguns dias antes, numa outra viagem a Manaus, fui recebido pelas colegas Carla e Amanda, que agora se preparam para defenderem suas dissertações de mestrado em turismo na Univali. Já nos conhecíamos do evento Anptur deste ano. Foram as duas melhoras guias e anfitriãs que eu poderia haver encontrado na capital amazonense. Sem elas eu estaria perdido por lá na primeira visita.
Carla e Amanda na primeira fila.
Devo destacar que o evento estava muito bem organizado e creio, que ao menos no primeiro dia, atingiu seus objetivos. Os alunos estavam muito envolvidos na organização, sem contar o empenho dos professores que mostraram ter um grande grupo que atua em conjunto no sentido de valorizar os estudos e a prática do turismo local.
Algumas alunas da equipe da organização.
Após a apresentação, caso fosse permitido, eu estarei ainda por lá respondendo aos questionamentos dos alunos. Foram muitos, e bem críticos e elaborados.
Muitas fotos e livros autografados.
Ao final fizemos muitas fotos com os alunos. Trocamos impressões sobre o turismo no Brasil, sobre a educação na área, sobre publicações, possibilidades profissionais, etc.
Conversa informal ao final.
E, como é de praxe nos eventos, fomos comemorar o sucesso da abertura no que é considerado o melhor restaurante de peixes de Manaus, o Banzeiro. 
Comecei com a sardinha de água doce...


... com o filé de tucunaré com farofa colorida e baião de dois...

...e mais farofa branca...

Com pimenta verde e amarela esmagada...estava bom, eu confesso.

Tenho certeza que as colegas da mesa também gostaram.
Direita para a esquerda: Cristiane, Glaubécia, Alexandre e Márcia
Para mim as três horas e meia de voo de São Paulo a Manaus valeram a pena, pois conheci várias professoras que, até onde pude perceber, estão interessadas no correto desenvolvimento do turismo na região em que atuam. Estão preocupadas com a melhor forma de ensinar, estão comprometidas com a docência e estão trabalhando em grupo.
É um pessoal jovem que está apostando suas fichas no turismo naquela região. Deixo minhas estimas de grandes realizações e a disposição de voltar em oportunidades futuras. E sempre queremos voltar aos lugares em que somos bem recebidos. 

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Ditadura do politicamente correto?

Postado por Alexandre Panosso Netto
Estamos vivemos a ditadura do politicamente correto em micro escala?
Explico.
Nas tais redes sociais a rápida visibilidade que um comentário qualquer tem é fascinante. Caso seja postada uma opinião que vai contra à opinião pública, à grande massa, é como um risco de pólvora acesa que se espalha, e o resultado pode ser desastroso para a imagem de quem publicou tal comentário. Além disso, é eliminada a possibilidade de comentários futuros, por pura pressão, patrulhamento.
Comentários dúbios (ou mais críticos), peças publicitárias, discursos políticos e até palestras nas quais as pessoas expressam suas opiniões, também podem ser mal compreendidos. A linha entre o certo e o errado, entre o humor inteligente e refinado e o escárnio, entre o respeito e o desrespeito está cada vez mais difícil de ser identificada.
Há também aqueles plantonistas de internet, - pessoas que têm todo o tempo do mundo para fuçar no seu Facebook, falecido Orkut, Linkdin, Twitter, blog, etc., - em busca de um erro de gramática, uma opiniãozinha diferente, um mero deslize, ou algo que consideram errado, e estão atentos a tudo o que se passa na rede. Tais pessoas procuram intimidar, pois assim que encontram algo que pode causar mal estar ao outro, distribuem a notícia.
Estou dizendo que não devemos nos manifestar? Não.
Estou dizendo que, apesar de parecer que cada um é livre para dizer e escrever o que quiser, não é bem isso o que ocorre, pois a força do politicamente correto está por aí em micro escala, ao nosso lado, em nossa rua, em nossa escola, em nossa igreja, em nossa comunidade. Solta, livre, e sem muito a perder.
No caso de um professor, por exemplo, seja ele universitário ou não, o perigo é maior. O prezado docente pode escrever em seu Twitter que, sei lá, não gosta do "vermelho". Logo, a turma do "azul" está pronta para discriminá-lo. E como um professor é um formador de opinião, então o patrulhamento é maior.
Opiniões políticas, então, somente os muito engajados para dizerem o que pensam. Se você é de esquerda, cuidado com os da direita. O contrário também é verdade.
A mim parece que a tal tecnologia, neste quesito, tem afastado as pessoas, mais do que aproximado. Numa roda de amigos alguns até se manifestam, mas quando é para registrar, gravar em entrevista, escrever ou publicar, há aqueles que se esquivam.
Concordo que o respeito às diferenças acima de tudo deve existir. O que não concordo é com a forma  como estamos lidando com essa situação. O correto seria o debate. Mas nem todos são francos e nem todos estão abertos a isso. Então, os patamares de discussão são distintos, e aí não há quem se entenda.
Portanto, cuidado da próxima vez que for dizer que gosta mais do "azul" do que do "vermelho", pois pode ser que a turma do "amarelo" se zangue.
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Comentário adicional
Seguindo a linha de raciocínio acima, nesta semana de forma inusitada caiu em minhas mãos o livro do Luiz Felipe Pondé, "Guia politicamente incorreto da filosofia".
Trata-se de um texto que tenta desnudar a origem do politicamente correto - PC. Pondé tem opiniões que vão contra à grande corrente, ao grande fluxo. Na verdade, ele também busca denunciar a pobreza da vida cotidiana e do PC que se apresenta sem fundamento e vazio em sua existência. Sobre o turismo, especificamente, ele afirma que todos querem viajar mais e mais, e o mundo está cheio de turistas, portanto, o mundo virou um "churrasco na laje".
Não concordo com tudo o que está no livro (será que estou tentando ser politicamente correto com esta afirmação?), mas o texto leve, agradável, com capítulos ligeiros, crítica ácida e inteligente, nos leva a refletir sobre o tema, ou sobre os vários temas da vida cotidiana.

sábado, 1 de setembro de 2012

Carta ao (à) estudante de turismo

"Brasil, 01 de setembro de 2012.
Ao (à) estudante de turismo.
Expresso aqui alguns pensamentos e ideias sobre o campo do turismo e sobre as possibilidades que ele reserva para os que nele desejam atuar. Não se trata de um receituário de como ter "sucesso" na área, mas sim algumas indicações que acredito serem bem simples, porém importantes. Até creio que elas servem para outras atividades profissionais também.
Motiva-me escrever esta carta, pois no dia 27 deste mês comemoramos o dia Mundial do Turismo e, no Brasil, este também é o dia do bacharel em turismo. Portanto, um momento oportuno para reflexões sobre o tema.
De imediato, parabéns por sua coragem em escolher uma área que não raras vezes é mal compreendida e sofre preconceito em nosso país. Parabéns por sua visão de oportunidade, pois o fenômeno turístico pode trazer aprendizado, compreensão e, dependendo de sua atuação, ótimas experiências.
Você já deve saber que o turismo não envolve só a economia, mas também a sociologia, a administração, a cultura, a história, a filosofia, o meio ambiente, a geografia, a estatística, a antropologia entre inúmeras outras áreas, portanto, uma visão abrangente deve considerar a multiplicidade de campos interlaçados do turismo. Tenha isso em mente sempre.
1.Leia, leia muito
Um dos passos fundamentais para todos os estudantes é a leitura. Deve-se ler todos os materiais indicados pelos docentes. Mas não parar por aí. É importante que você busque leituras que não são indicadas em sala, avance, vá além do básico. Procure ler as revistas científicas mais importantes, tanto as nacionais quanto as internacionais, tais como a Annals of Tourism Research, a Estudios y Perspectivas en Turismo, a Journal of Travel Research, a El Periplo Sustentable... e uma infinidade delas. Busque ler as revistas indicadas para viajantes ocasionais ou frequentes, dessas que encontramos nas bancas, tais como a Lonely Planet, Viagem e Turismo, National Geographic e Horizonte Geográfico. Essas últimas revistas indicam tendências, relatam histórias, analisam destinos, enriquecem nosso conhecimento e cultura geral. Leia também os blogs de viagens, os jornais de turismo, os sites dos organismos oficiais de turismo. E, o mais importante, leia livros de turismo. Mas não vá ler somente os que você gosta, que tem bastante figuras e letras grandes. Mas sim também os grandes, pesados, complexos e profundos. Já há livros clássicos de turismo, tais como La Horda Dorada, de Louis Turner e John Ash; Sociologia do Turismo, de  Jost Krippendorf; The Tourist, de Dean MacCannell, entre outros. Esses são críticos e contundentes, que podem te levar a novas visões da realidade.
2.Participe de eventos
A quantidade de eventos na atualidade que se propõe a discutir o turismo é enorme. São eventos nacionais e internacionais, organizados por grupos universitários, cursos de graduação, prefeituras, órgãos públicos... Nesses eventos os convidados discutem temas específicos, pontos de vista sobre uma ideia, projetos de turismo, problemas do turismo, educação, profissionalização, empreendedorismo entre uma infinidade de aspectos. Sempre se pode aprender algo e conhecer os especialistas presentes, fazendo perguntas, tirando dúvidas e criando, gradativamente, seu círculo de atuação. Certa pessoa comentou comigo que quando era estudante participava de todos os eventos de turismo de sua universidade, sentava-se na primeira cadeira, fazia uma pergunta e não ia embora sem levar o cartão do palestrante. É um certo exagero, mas em alguns casos é importante agir assim.
3.Estude idiomas
Espanhol, inglês, alemão, italiano, francês ou outro qualquer. Não importa. O que vale é ser comunicativo para além de seu idioma materno. O turismo é feito de encontros, encontros levam à comunicação, comunicação necessita de um veículo e meio. Compreender e ser compreendido em uma segunda, terceira ou quarta língua é fundamental para qualquer profissional do turismo. Obviamente que no momento a língua de comunicação universal é o inglês e é por aí que você pode iniciar, ou continuar. Bom, não se esqueça de aprender bem o português. Ele é o seu primeiro cartão de visitas.
Me dirá que não tem tempo? Responderei que tempo é uma questão de prioridade.
4.Viaje mais
Lembra da frase de Santo Agostinho? "O mundo é um livro, quem não viaja lê somente a primeira página". Trata-se de um pensamento que nos diz muito e vale para os dias atuais. Ao viajar você deixará sua bolha de segurança e será um turista, se sentirá outra pessoa, encontrará novas comidas, música, língua, cheiros e sabores. Haveria aprendizado melhor para a vida de um turismólogo?
5.Conheça a história do turismo
Lembre-se, ao contrário do que diz o senso comum, o turismo é um fenômeno antigo. Alguns dizem que ele existe desde quando o ser humano passou a se deslocar na face da terra. Outros dizem que ele surge na Antiguidade. A hipótese mais provável é que o turismo, tal como conhecemos hoje, foi gestado no início do século XIX, portanto, já tem dois séculos de existência, no mínimo, e não é um fenômeno novo. Busque saber a história do turismo, desta forma você terá um conhecimento que permitirá compreender o avanço da atividade através das décadas.
6.Esteja antenado com as novas tecnologias
Esteja atento com as novas tecnologias e vislumbre como elas poderão te ajudar a desenvolver - e a envolver - a atividade. Não se preocupe em criar um produto ou um atrativo que vá mudar, revolucionar o tema, mas comece se preocupando com as possibilidades de lazer, turismo e entretenimento em seu bairro, em sua cidade, em sua região. Comece pequeno, e vá crescendo e pensando grande. As tecnologias, equipamentos, softwares, redes sociais, etc. são elementos que viabilizam as viagens das pessoas. Sem eles estaríamos perdidos.
7.Seja empreendedor
Não fique se lamuriando pelo fato de que "não te dão oportunidades", "não te valorizam", "ninguém respeita a área" e outras besteiras do gênero. O importante é a sua ação, o desenvolvimento de suas habilidades, o saber-fazer e o fazer-saber. Tenha foco, estabeleça seu plano de ações com metas temporais, que sejam de meses ou anos, e aja. Não pergunte de imediato quanto você pode ganhar atuando no turismo. Comece por perguntar como você pode trabalhar neste campo. Nem pergunte quem vai te dar emprego, mas sim quantos empregos você poderá gerar atuando na área. Deste modo, seja empreendedor, pois as maiores fortunas em turismo, as maiores agências, as maiores cadeias hoteleiras começaram com pequenos empreendimentos, com uma boa ideia e muito trabalho. O futuro é feito de nossas ações no presente, no agora.  
8.Mantenha o foco
Ao se decidir pela área que deseja atuar, mergulhe nela. Especialize-se. Se quer ser planejador ou consultor, então busque compreender esta área com leituras e experiências práticas. Vá aprendendo gradualmente, porém, com firmes propósitos estabelecidos. Não desista ao encontrar o primeiro problema. A solução dele te amadurecerá e fortalecerá para ações futuras. É assim que funciona em qualquer área. Mantenha o foco e não dê ouvidos aos invejosos, chatos e críticos de plantão. Não se engane, eles estão mais perto do que se imagina.
9.Trabalhe em grupo
Olhe para seu colega da mesma sala de aula. Ele poderá ser seu empregador, seu empregado ou seu sócio. Você decide. As melhores parcerias profissionais surgem desde os tempos de faculdade. Mas para além disso, tente formar um grupo de trabalho, uma sociedade, uma parceria, ajude e seja ajudado. O grupo terá mais força, mais contatos, mais possibilidades de investimentos e mais visão. Os objetivos serão alcançados com mais facilidade com o trabalho em grupo.
11.Seja profissional ético
Ser ético significa atuar de acordo com as normas estabelecidas e valores aceitos na sociedade. Não venda sua integridade profissional por pouco, nem por muito. Conheça o Código Mundial de Ética do Turismo que afirma em seu artigo 1, parágrafo 1: "A compreensão e a promoção dos valores éticos comuns à humanidade, num espírito de tolerância e de respeito pela diversidade das crenças religiosas, filosóficas e morais, são ao mesmo tempo fundamento e consequência de um turismo responsável; os atores do desenvolvimento turístico e os próprios turistas devem ter em conta as tradições ou práticas sociais e culturais de todos os povos, incluindo as das minorias e populações autóctones, reconhecendo a sua riqueza". Trabalhe para que cada vez mais pessoas possam fazer turismo de forma ética, sustentável e responsável. Esse bem que poderia ser o objetivo de todos os trabalhadores do turismo.
12.Obstáculos
Muito serão os obstáculos que enfrentará. Vá se acostumando com a ideia de que vão te perguntar se você vai ser guia de turismo ou se você vai abrir uma agência de viagens. Outros vão pensar que você  vive viajando, se divertindo em praias desertas, conhecendo gente legal, vivendo nos melhores hotéis, comendo da melhor gastronomia internacional, visitando desertos e geleiras. Quem sabe vão até te pedir dicas sobre aquele país exótico ou sobre o que comer e aonde ir no destino do momento. Alguns, ao saberem que você estuda turismo, simplesmente não falarão nada, cheios de perplexidade. Você terá dificuldades em ser empreendedor, nem todos compreenderão suas propostas, haverá problemas financeiros que parecem complicados. Tais obstáculos, uma vez superados, trarão confiança profissional. É assim com todos os profissionais bem sucedidos.
13.Entenda a política de turismo
A política de turismo, em todas as instâncias de gestão, é fundamental para o desenvolvimento da atividade. Neste caso, é bem vinda a sugestão de você se inteirar dos meandros, das diretrizes e das direções que o turismo está tomando, ou para onde estão o levando. Entenda qual é o público principal a ser atraído para sua região, quais são as linhas de financiamento, quais são os programas de governo, se há ou não planejamento... tudo isso vai afetar diretamente sua atuação como bacharel em turismo.
14.Competência e confiança
Seguindo os passos profissionais corretos, é provável que você adquirirá competência, e assim também terá confiança no que faz. Competência e confiança são percebidas imediatamente por seus clientes e proporcionarão melhores práticas profissionais, criando assim, um círculo virtuoso. Mas para chegar a este patamar, o caminho é longo e exige dedicação, outra ação necessária.
15.Saia do seu círculo. Avance
Não se prenda apenas ao seu círculo profissional mais próximo. Busque conhecer as boas práticas de outros destinos, de outras empresas relacionadas com o setor turístico. Busque experiências nacionais e também internacionais. Não tenha medo de copiar as boas ideias. Ideia não tem dono. Não é patenteada. Buscando conhecer além de sua realidade certamente novas possibilidades surgirão. Todos sabem disto. Não se acomode. Isso é péssimo.
16.Faça o que gosta
Se você não gosta da área do turismo, ou da empresa ou setor em que atua, simples: mude. Mude e busque fazer o que você gosta. Para trabalhar com turismo é preciso ter dinamismo, criatividade, simpatia e se você não gosta do que faz, provavelmente não terá essas habilidades. Não trabalhe num lugar que te faz sofrer. Não será bom nem para você, nem para os outros. Assim, especialize-se e busque fazer o que gosta. Logo, logo você também será cativado por outras áreas e pessoas. E de fato, eu acredito nisso: é muito importante ser feliz e estar de bem com a vida!
Despedida
Assim, caro(a) estudante de turismo, despeço-me deixando os votos que você consiga compreender este complexo fenômeno do turismo, que estabelece estreita interface com o lazer, com a hospitalidade, o entretenimento, a gastronomia, a recreação, os eventos, os temas da mobilidade, do meio ambiente, da cultura, etc. Além disso, uma vez egresso, espero que suas atividades profissionais sejam exemplares e que sua atuação ajude a elevar a qualidade e a importância do turismo em nosso país.
Espero que você saiba e tenha oportunidade de conquistar seus mais nobres objetivos profissionais, elevar a qualidade dos serviços da área, elevar o conhecimento prático e teórico já existente, proporcionar melhores condições de vida para os outros através dos impactos positivos do turismo. Como professor, espero tudo isso, mas se não alcançar tudo, se não conseguir realizar tudo, não importa. Ao menos você está tentando e certamente bons frutos está produzindo.
E bons frutos é o que todos queremos cultivar, colher e provar no jardim do turismo.
Abraços e feliz mês de setembro! Feliz dia do turismo!
Prof. Alexandre Panosso Netto - EACH-USP"