terça-feira, 6 de abril de 2010

Aula Magna do Mestrado em turismo da Universidade Federal do Rio Grande do Norte

Postado por Alexandre Panosso


A aula magna do Mestrado em Turismo da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (Nota 4 CAPES)  ocorreu ontem pela manhã num dos auditórios do Campus de Natal. Fui convidado pela coordenação do curso, na pessoa da coordenadora Profa. Dr. Rosana Mazaro, para desenvolver o tema Construção do conhecimento turístico: escolas teóricas e avanços.


Professores: Sérgio Leal, Thomas, Alexandre, Rosana e Sérgio Marques

Estiveram presentes alguns professores e alunos do programa de pós-graduação e alunos do curso de graduação.
Desenvolvi na apresentação uma revisão de como autores, de um modo geral, desenvolvem pesquisas em turismo e apontei os principais paradigmas e mitos das teorias de turismo.
O pessoal do mestrado me pareceu muito bem articulado, preocupado e "antenado" com as novas tendências  nacionais e mundiais dos estudos turísticos. Os professores estão engajados e os alunos muito dedicados. Creio que a turma está desenvolvendo um ótimo trabalho ali.

Público presente

Tive a oportunidade também de apresentar o livro "Epistemología del Turismo: estudios críticos"  (Castillo e Panosso Netto, [Orgs.], Editora Trillas, 2010), o qual também apresenta uma revisão dessas teorias explicativas e analíticas do turismo.

Alguns alunos do mestrado após a aula.

Após a explanação foram feitas inúmeras perguntas e o debate me pareceu muito produtivo. Falamos de Positivismo (que é um paradigma nos estudos turísticos), Fenomenologia, Dialética, Marxismo, Teoria de Sistemas,  Falseabilidade, Teoria Crítica entre várias outras linhas de investigação, técnicas e métodos científicos   (ou pseudo-científicos).
Aspecto do campus da UFRN - só natureza. Vi alunos por ali com seus notebooks conectados à internet.

Após o almoço participei da segunda defesa de dissertação do programa de pós. O trabalho do acadêmico  Marcio Marreiro das Chagas, orientado pelo prof. Dr. Sergio Marques Junior, intitulado "Análise da relação causal entre imagem de destinos, qualidade, satisfação e fidelidade: um estudo de acordo com a percepção do turista nacional no destino turístico Natal" foi aprovado.

A recepção e hospitalidade dos colegas e alunos do programa foram ótimos, motivos pelos quais agradeço. Espero sempre ter a oportunidade de lá retornar.

Detalhe: para variar, com as chuvas em São Paulo e fechamento de Congonhas, tive que remanejar meu voo e passei das 01:00 até as 04:40 apertado dentro de um avião lotado.
Ah, mas valeu a pena, nem vou reclamar!

4 comentários:

Sylvana Marques disse...

Bom dia Prof. Alexandre
A semana foi muito corrida e não tive tempo de vir comentar no seu blog antes...
Fiquei responsável por fazer nos próximos 10 dias um seminário sobre a sua atuação no Turismo e entre os vários nomes que ali estavam escolhi o seu porque realmente acredito que dos poucos autores que eu li, ligados diretamente ao turismo sua contribuição tem como criar um marco nesses estudos! Conheço poucas obras dos estudiosos na área, vejo muitas contribuições de geógrafos, historiadores... Realmente a fundamentação teórica na graduação de turismo é um grande problema a ser resolvido, é difícil até dialogar com colegas de classe, esses tendem a ter uma postura rígida em relação a certos conceitos e ouso até dizer que um pouco auto-suficiente. Acredito que o mestrado deve ser o local onde mais devemos ter abertura para receber e certa humildade para dialogar sobre esses conhecimentos e não descartá-los, mas sim analisá-los. Qdo me formei em Turismo, encontrei uma realidade que não daria para “dar conta” da minha realidade ou das minhas necessidades e fui pra ADM de empresas, me sentindo envergonhada e inconseqüente por ter escolhido esse curso diante das condições que me foram dadas, enfim com 20 anos recomecei na ADM e trabalhando... Experiência profissional; só tive uma na vida, Representante médica, trabalhava em indústria farmacêutica eu era um daqueles homens que entram com uma malinha preta cheia de medicamentos no seu médico antes de vc. Pedi demissão e decidi recomeçar minha vida acadêmica, tentei um mestrado em historia e fiquei 1 ano assistindo aula como ouvinte, depois decidi assistir aulas também na graduação, tudo pra tentar entender esse contexto teórico, e ainda tenho mil duvidas...
Tentei a seleção da UFRN e agora sendo bolsista da CAPES me sinto muito responsável com o que devo fazer e como devo fazer... Isso porque estou vendo muita dedicação e responsabilidade das pessoas que estão tentando elevar o conceito dos estudos no turismo Hoje já tenho 30 anos e sinto que estou numa idade que posso fazer o que eu quero por amor e por prazer, já fiz por dinheiro, pelas vantagens, curti muito, me hospedei muito, viajei muito, alias trabalhava viajando e ainda usava o dinheiro dos ganhos tbm viajando e qdo desisti foi pq senti vontade de contribuir com algo, não era mais ganhar ou gastar e sim criar, construir, como vc tem feito em turismo e como vejo a própria professora Rosana batalhando pelas evoluções do curso na UFRN e acredito que esse é um momento crucial.

Sylvana Marques disse...

Sobre seu livro, eu tinha escutado de alguns colegas que era um livro chato, cansativo... Juro que acreditei que veria milhões de sistemas, milhões de porcentagens calculando quem entrou e saiu, quem gostou ou não gostou, geração de rendas enfim tudo o que eu poderia considerar um livro chato e insosso. Minha surpresa foi enorme ao ler seu livro, pois como disse na palestra seu carisma aparece no inicio do livro desde o momento em que vc não desqualifica nada do que já foi produzido, mostrando um respeito e maturidade muito grande em relação às pessoas que já escreveram e que de alguma maneira nos permitiram chegar até o contexto atual. Sei que muitas vzs essas posturas são necessárias até para podermos expor nossas opiniões, mas dá pra entender que não é o seu caso, só expor sua opinião, além do respeito existe a vontade de fazer.
Um fato muito interessante para vc conhecer, até pq isso pode estar na mente de outros alunos, aconteceu comigo no decorrer da semana, uma colega em conversa disse que eu estava deslumbrada, vendo o que não existe nas suas propostas e que vc era categórico em afirmar que “só” a fenomenologia serviria como fundamento e que “só” a busca na filosofia seria capaz de propor um trabalho sério. Eu respondi que tinha certeza que nós não tínhamos lido o mesmo livro, nem muito menos o mesmo autor. Não vejo em momento algum do seu livro a imposição de conceitos ou a afirmativa de um único método de estudo, até pq isso seria um totalitarismo, vejo sim uma proposta, uma proposta muito coerente, necessária e urgente qdo são lidos a maioria dos estudos que estão sendo produzidos pelos bacharéis em turismo, proposta essa que ninguém fez antes de forma tão clara. Nossa discussão tomou rumos de bate boca, infelizmente a colega se irritou elevou a voz citou mil nomes de autores que “realmente” são válidos, no entender dela para “fundamentar” o estudo do turismo para fundamentar os estudos do ” trade”, disse que eu não entendia nada de turismo, até pq eu tinha outra visão que não se encaixava na do turismo, na do trade, até agora me pergunto sobre a infantilidade de se irritar com um assunto desses rssssss... Escutei tudo e calmamente pedi que ela me mostrasse no seu livro onde vc afirmava que deveríamos ser fenomenólogos e onde vc afirmava que teríamos que nos especializar na filosofia, ela ficou procurando disse que vc afirmava toda hora, e eu dizia tudo bem só me mostra pq essa parte eu não li e ela insistia que vc repetia varias vzs, qdo ela encontrou e eu pedi que lesse e ela me disse que não encontrou a parte em que vc diz que devemos usar só a fenomenologia mas que encontrou onde vc diz que nossos estudo só servirão se tiver fundamentos filosóficos ( acho que ela pensa que só a fenomenologia seria um ou que talvez exista algum fundamento que não tenha estudos filosóficos ou sociais,não sei...), aqui esta o que foi encontrado : “[...] Portanto, verificamos que é impossível querer avançar no fortalecimento das teorias do turismo se a filosofia não for revisitada como ponto de partida...” A partir dessa leitura continuei dizendo que não vi imposição alguma, ela repetiu a leitura varias vzs irritada e eu disse que só poderia constatar através da leitura dela que ela não sabia ler, pq o q vc sugere é q quem quiser ter um estudo mais aprofundado, dentro das teorias que abraçaram outras ciências, um estudo que seja mais valorizado academicamente deverá ter a filosofia como PONTO de PARTIDA, a partir dos estudos filosoficos como todas as disciplinas tem feito...

Sylvana Marques disse...

Depois disso fiquei achando que derrepente alguns alunos depois da graduação não conseguiram muito bem entender sua proposta, até pq observação da minha colega não foi única, ouvi outros poucos colegas que se manifestaram de maneira parecida. Seria um estudo qualitivo? (rssssssss) O ruim é que qdo alunos nos momentos propícios fingem ter amado, e continuam com suas dúvidas não se abrem para novas possibilidades, isso de certa forma me preocupa pq estou torcendo para que a pesquisa em turismo cresça sim, e seja respeitada principalmente dentro das universidades, respeitada como um estudo necessário a serem desenvolvidos por profissionais, profissionais esses que somos nós. Não sei se meu trabalho terá a fenomenologia, não sei, penso em trabalhar com pós estruturalismo e acho tão difícil tentar encaixar a fenomenologia, apesar de Paul Ricoeur, mas Paul Ricoeur é Paul Ricoeur...Tenho livros dele aqui,ontem comprei um livro sobre a fenomenologia e a cultura e preciso começar a ler um livro chamado o Império dos Sentidos, comprei mas não li ainda, estou perdida em tantos conceitos, vou tentar me achar, mas uma coisa sei vc abriu as portas para as pesquisas, acho q sua visão foi ampla por isso, é como se vc tivesse dado a largada para novos trabalhos. Não vejo exigência vejo a li a proposta de grandes trabalhos, de seriedade e de abertura para o novo, para o que ainda não tinha sido visto estudado...
Enfim amei sua proposta pq ela vai bem mais além do que propor um método, e como disse Fraçois Dosse é a fenomenologia quem inicia a preocupação com o sentido social das coisas...

Alexandre e Tatiana disse...

Sylvana, obrigado pelas palavras de apoio. Suas reflexões apontam que você está no caminho certo, ou seja, o da dúvida e o da busca da verdade. Siga nesse rumo. Quando eu retornar a Natal (espero que não demore) podemos conversar sobre tudo isso. Abraços.
Alexandre Pansoso